quinta-feira

agora começa

como ultimamente eu não ando escrevendo muito eu vou começar a colocar textos de outras pessoas mandando idéias que eu concordo na maioria das vezes.

A última viagem do Papa: Culto bizarro ao corpo
Trecho do artigo de Guilherme Fiúza no site nominimo:
"Ajeita o pé do papa que tombou de novo! A cabeça tá balançando, não inclina! Fecha a boca do Papa!
João Paulo II, o Sumo Pontífice, passou os últimos dez anos de sua vida atraindo a atenção do mundo por causa dos males de seu corpo, muito mais do que pela grandeza de seu espírito. Achou que seria didático viver sua longa via-crúcis em público, uma aula de sofrimento físico, quando na verdade o que resultou foi, para muitos, um miserável espetáculo de desumanidade. O clímax deste estranho materialismo espiritual é a veneração ao corpo morto do papa, carregado para lá e para cá no meio da multidão como um Quincas Berro D´Água.
Tamanha fixação cadavérica só tem paralelo entre os antigos egípcios, em sua sacralização dos corpos dos faraós. O que fazia todo o sentido, pela convicção de que a morte era apenas um descanso antes da próxima vida – a ser vivida com aquele mesmo corpo. Mas isso foi há cinco mil anos. No século 21 Depois de Cristo, do alto das múltiplas camadas de conhecimento e cultura que sedimentam a vida moderna, uma tal exaltação ao corpo morto – e note-se que não era um general ou um líder político, mas um sacerdote do próprio Deus – só pode denotar alguma pane séria no ideal de religião.
Se os fiéis que entopem os funerais do papa declaram sentir-se, diante de sua figura mumificada, como se estivessem na presença de Deus, é preciso parar tudo e mandar todo mundo de volta à primeira comunhão. Lição número um: Deus é espírito. E os sacerdotes recebem este mandato dos homens por sua elevação espiritual, ou seja, sua suposta capacidade de transcender as razões da matéria e tocar a divindade – onde está, para os religiosos, todo o sentido da existência humana.
O desfile do papa morto pode até fazer algum sentido para os ateus e os materialistas. Desmistificação da santidade, curiosidade mórbida, essas coisas. Mas o mortal que tem alguma presunção de espiritualidade na carcaça deveria tratar de apontar sua emoção para outro lado. Deus não está ali, nem João Paulo, nem Karol Wojtila. Não há mais ninguém em casa. Trata-se apenas de matéria inanimada, a mesma desprezada pelo catolicismo quando censura os impulsos carnais, mas agora paradoxalmente transformada em souvenir religioso. Uma versão bizarra do culto ao corpo."

retirado do site noblat.blig.ig.com.br
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